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Como o teatro auxilia no combate a depressão

    curso de teatro

    Texto de Janaina Gaia.

    A brincadeira do “faz de conta” faz parte do desenvolvimento humano. Portanto, ela é natural nas nossas vidas. Quando criamos situações imaginárias e nos envolvemos emocionalmente com elas nos preparamos para a vida. Esta é uma estratégia do corpo para amadurecer o cérebro e promover conexões psicofísicas, assim crescemos. Somos seres sociais que aprendem por espelhamento. Ao nos descolarmos da nossa própria história criamos limites entre nós e o outro. Praticamos a empatia e entendemos que o mundo é um lugar coletivo e, por isso, somos responsáveis uns pelos outros. Assim, podemos entender que é extremamente salutar e necessário nos imaginarmos vivendo situações diversas. Dessa forma nos socializamos, entendemos o que é respeito ao próximo e nos sensibilizamos com o mundo ao nosso redor e não apenas com nossas próprias dores. A esta brincadeira chamamos de Teatro.

    O Teatro como arte se encontra na nossa vida com o objetivo de diversão e entretenimento, porém é sabido que, por sua origem, ele possui também alcance terapêutico. Ou seja, basta que seu uso seja assumido como tal e seu objetivo esteja ligado à prática do autoconhecimento para se tornar uma ferramenta terapêutica. Ao fortalecermos nossa conexão com a nossa própria vida, de maneira consciente, promovemos autoestima. O Teatro investiga de maneira lúdica e prazerosa os contornos da nossa personalidade. Através das nossas criações e de como lidamos com elas aprendemos a nos conhecer melhor.

    Muitas doenças mentais proveem de desalinhamentos entre nós e o mundo. Vivemos numa sociedade que produz ansiedade e depressão, por exemplo. Estamos inseridos numa lógica binária de mundo onde o consumo é o propósito maior. Somos medidos pelo que temos e não pelo que somos. Nossas conquistas nos dão o status de seres habilitados à felicidade ou não. Esta é a régua da nossa era: A felicidade atrelada ao poder. No nosso cenário social não cabe tristeza, dor, nem fracassos. Como sobreviver num lugar tão hostil e controlador sem força interna? Sem liberdade para sermos o que quisermos ser? Como sobreviver num mundo onde a diversidade é uma ameaça? Onde a expectativa e a cobrança são por uniformidade?

    A Arte como processo terapêutico é um dos melhores caminhos para o fortalecimento da autoestima e da aceitação de nossas características próprias. Criar, soltar os sentimentos, moldá-los a nossa revelia expande nossa inteligência e nos capacita a enfrentar as dores do mundo. Teatro é movimento, é totalidade, é consciência. A vida sem a arte é muito dura e cruel. Sem a liberdade de criação e de experimentação de mundos fictícios não suportaríamos a realidade. Não se trata de fuga, mas ao contrário, trata-se de uma crítica leve e amorosa sobre o duro exercício de viver. A Arte cura.

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