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Como é uma boa aula de teatro?

    curso de teatro para adolescentes

           Texto de Marco Santos

        Se fizermos esta pergunta para professores e alunos, talvez tenhamos respostas diferentes, mas, acredito que no final sejam convergentes. Seja qual for a aula, de qualquer assunto, teremos sempre estas duas figuras que são essenciais: alunos e professores. Sou (eternamente) aluno e estou professor.

                Eu acredito que me tornei aluno desde o primeiro momento em que fui tocado pela curiosidade sobre determinado assunto. Até onde me lembro, isso aconteceu quando eu era bem pequeno e, dentro de um ônibus, junto com minha mãe, tive a atenção atraída pelo número dele. Perguntei qual era. Minha mãe me disse e eu olhei longamente para aquela figura, repetindo baixinho o nome que minha mãe pacientemente me dissera e repetira. Em todas as vezes que me via diante de números, eu curiosamente perguntava e ela com paciência me explicava. Assim aprendi.

                Meu pai também era muito paciente, quando estava lendo jornal e eu me sentava ao seu lado e me sentia curioso por ver aquelas letrinhas e queria saber o que cada uma significava. Ele me dizia e eu procurava guardar mentalmente o som que ele dissera. O que se repetiu muitas outras vezes. Até que aprendi.

                Com isso, temos dois elementos que são fundamentais numa relação entre professor e aluno: curiosidade e paciência. Vale para a facilitação de aprendizado de qualquer matéria. Vale, e muito, para uma aula de Teatro.

                Como disse, eu estou professor. Trabalho na Cia de Teatro Contemporâneo, um ótimo lugar para exercer o magistério teatral. Lá, encontram-se todas as condições necessárias para uma boa aula de Teatro. Com isso, temos o nosso terceiro elemento fundamental: ter ótimas condições para que a aula aconteça.

                Uma boa aula costuma acontecer quando temos alunos e professores pacientes, curiosos, em um local com ótimas condições para o aprendizado. Ter paciência não é uma exclusividade de professores, da mesma forma que ter curiosidade não é uma qualidade necessária apenas para o bom aluno.

                Eu realmente acredito que o professor aprende com seus alunos e estes, muitas vezes até inconscientemente, ensinam seus mestres. Esta relação é uma mão dupla. Se ambos tiverem curiosidade e paciência e tiverem paixão pelo Teatro… Ah, surgiu mais um quarto elemento. Paixão.

                Uma das definições de dicionário para paixão é: “entusiasmo muito vivo por alguma coisa”. Isso! Se a aula e/ou o assunto que ela aborda desperta esse vivo entusiasmo, estamos prontos para uma boa aula.

                O que leva alguém a procurar aprender a fazer Teatro? O que desperta, em professores, a vontade de facilitar o aprendizado dessa Arte? No primeiro caso, são muitas as possibilidades. No segundo, também. Mas todas passam pelo desejo de ser acolhido por uma manifestação artística que expõe as complexidades humanas, que nos transforma inexoravelmente (Teatro muda nosso ponto de vista perante a vida e o mundo), que combate nossa timidez, nos dá forças para melhorar nosso modo de ser.

                O aluno precisa ser acolhido; o professor necessita saber acolher os que o procuram. Todos envolvidos, necessariamente, terão que ter curiosidade, paciência e paixão. E num local com ótimas condições, deixar que o Teatro aconteça. E, sim, termos todos uma boa aula, sob os bons auspícios de Dioniso e de todos os avatares do Teatro.

                Venha para o Teatro. Traga sua curiosidade, sua paciência e sua paixão. Você não vai se arrepender.

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